Glossário de Termos Relativos à Mudança Climática
Absorção
. Incorporação de uma substância de interesse a um depósito ou reservatório. A absorção de substâncias que contêm carbono, em particular dióxido de carbono, costuma ser chamada de seqüestro ou captura de carbono.
Aclimatação
. Adaptação fisiológica de um organismo às condições ambientais ou de experimentação.
Atividade solar.
O sol tem períodos de grande atividade, que podem ser observados pelo número de manchas solares, assim como pela emissão de energia radioativa, pela atividade magnética e pela emissão de partículas de alta energia. Estas variações ocorrem em escalas de tempo muito diversas.
Atividades de implementação Conjunta (AIJ).
Fase piloto da Implementação Conjunta, como definido no artigo 4.2 da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, que permite a realização de projetos entre países desenvolvidos (e suas empresas) e entre países desenvolvidos e em desenvolvimento (e suas empresas). A AIJ tem a intenção de permitir que as Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática obtenham experiência na implementação conjunta de atividades projetadas. Não existem mecanismos de financiamento para a AIJ durante a fase piloto. Ainda é necessário tomar uma decisão sobre o futuro do projeto AIJ e sobre como ele pode relacionar-se com os Mecanismos de Kyoto.
Acordo voluntário.
Acordo entre a autoridade governamental e uma ou mais partes do setor privado, assim como um comitê unilateral, que é reconhecido pela autoridade pública para atingir objetivos ambientais ou para melhorar o funcionamento ambiental para além do cumprimento desses objetivos.
Adaptabilidade
. (Ver capacidade de adaptação).
Adaptação.
Ajuste natural ou realizado por sistemas humanos em resposta às mudanças climáticas atuais ou esperadas ou seus efeitos, o que reduz os danos e aproveita as oportunidades de benefícios. Existem vários tipos de adaptação: antecipada e reativa; privada e pública; e autônoma e planejada.
Adaptação antecipada.
Adaptação que ocorre antes que o impacto das mudanças climáticas seja observado.
Adaptação autônoma.
Adaptação que não constitui uma resposta consciente ao estímulo climático, mas é ativada por mudanças ecológicas em sistemas naturais e pelo bem-estar em sistemas humanos. Também é conhecida como adaptação espontânea.
Adaptação planejada.
Adaptação que vem como resultado de uma decisão política, baseada na preocupação em relação a mudanças climáticas imediatas ou próximas.
Adaptação privada.
Adaptação iniciada e implementada por indivíduos, famílias ou empresas privadas. A adaptação privada responde aos interesses pessoais daqueles que a realizam.
Adaptação pública.
Adaptação iniciada e implementada pelo governo.
Adaptação reativa.
Adaptação realizada depois da ocorrência dos impactos da mudança climática.
Agência Internacional de Energia (IEA).
Organização governamental criada em 1974, com sede em Paris. Faz parte da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), e tem como propósito fazer com que seus países-membros tomem medidas conjuntas para enfrentar emergências no abastecimento de petróleo, troquem informações sobre energia, coordenem suas políticas energéticas e cooperem no desenvolvimento de programas de uso racional de energia.
Albedo
. Razão entre a energia luminosa difundida por reflexão em uma superfície e a energia incidente.
Antropogênico.
Aquilo que é resultado do ser humano ou que foi produzido por ele.
Aquecimento global.
É o aumento da temperatura atmosférica produzido pelo aumento da geração de gases do efeito estufa.
Assentamento humano.
Lugar ou área ocupado por povoamentos.
Atmosfera
. Capa de ar que rodeia a Terra. Consiste quase em sua totalidade de nitrogênio (78,1%) e oxigênio (20,9%), além de outros gases como o argônio, o hélio e o vapor d’água; estes, por sua vez, combinados com gases do efeito estufa como o dióxido de carbono e o ozônio. A atmosfera também contém nuvens e aerosóis.
Aumento do nível do mar.
Incremento no nível regular do mar. O nível do mar aumenta ou diminui por movimentos entre as camadas terrestres ou por elevação da temperatura da água, provocando derretimentos.
Avaliação da adaptação.
Prática de identificação de opções para adaptação às mudanças climáticas e avaliação de sua disponibilidade, benefícios, custos, efetividade, eficiência e viabilidade.
Avaliação integrada.
Método de análise que combina resultados e modelos das ciências físicas, biológicas, econômicas e sociais e sua interação com esses componentes, em um contexto consistente para avaliar o status e as conseqüências das mudanças climáticas e as políticas de resposta a elas.
Barreiras de mercado. No contexto de redução das mudanças climáticas, são as condições que impedem a difusão de tecnologias favoráveis em custo-benefício ou de práticas que possam reduzir as emissões de gases do efeito estufa.
Base ou referência. A base ou referência é qualquer dado com o qual se possa medir as mudanças climáticas. Pode ser uma “base vigente”, caso represente condições diárias observáveis. Também pode ser uma “base futura”, que é um conjunto de condições projetadas para o futuro.
Benefícios da adaptação. Evitar custos por danos ou acumulação de benefícios que seguem a adoção e a implementação de medidas de adaptação.
Biocombustíveis. Combustíveis produzidos a partir de matéria orgânica seca ou produzidos naturalmente pelas plantas. Por exemplo, o álcool (produzido através da fermentação do açúcar), o licor negro do processo de manufatura do papel, madeira e óleo de soja.
Biodiversidade. O número e a abundância relativa de diferentes gêneros, espécies ou ecossistemas em uma área particular.
Bioma. Comunidades similares de certos tipos de plantas ou animais.
Biomassa. Matéria total dos seres que vivem em um lugar determinado, expressa em peso por unidade de área ou de volume.
Biosfera. A parte da Terra e a atmosfera capazes de sustentar organismos vivos.
Biota. Todos os organismos vivos de uma área; a flora e a fauna considerados como uma unidade.
Créditos de carbono. Também conhecidos como bônus de carbono. São uma commodity que consiste em 1 tonelada de CO2 (dióxido de carbono) equivalente. “Equivalente” é o termo usado para outros cinco gases do efeito estufa diferentes do CO2. Para eles, usa-se coeficientes de conversão de acordo com a capacidade que o gás tem para gerar efeito estufa, em comparação com o CO2 (comparando-se o mesmo volume do gás em questão e do CO2 equivalente). Esta commodity pode ser comercializada em mercados regulamentados pelo protocolo de Kyoto ou nos mercados voluntários, como o CCX.
Cálculo de impacto climático. Prática para identificar e avaliar os prejuízos e as conseqüências benéficas das mudanças climáticas em sistemas humanos e naturais.
Caminhos alternativos de desenvolvimento. Refere-se a diversos cenários possíveis para valores sociais, de consumo e de padrões de produção em todos os países, incluindo mas não limitando-se ao seguimento das tendências atuais.
Capacidade de adaptação. A habilidade de um sistema para ajustar-se às mudanças climáticas ao reprimir riscos potenciais, para aproveitar oportunidades ou para enfrentar conseqüências.
Capacidade de construção. No contexto da mudança climática, a capacidade de construção é um processo de desenvolvimento de habilidades técnicas e capacidades institucionais no desenvolvimento de países e Economias de Transição para lhes permitir participar de todos os aspectos da adaptação, redução e estudos sobre as mudanças climáticas, além da implementação dos Mecanismos de Kyoto.
Capacidade de redução. Estruturas e condições sociais, políticas e econômicas que são necessárias para uma redução efetiva.
Captura de carbono. Veja absorção.
Cenário climático. Uma representação possível e normalmente simplificada do clima no futuro, baseada em um consistente conjunto de relações climáticas, que foi realizada para investigações das conseqüências potenciais das mudanças climáticas antropogênicas, quase sempre para a criação de modelos de impacto.
Cenários de emissões. Uma representação possível do desenvolvimento futuro de emissões do efeito estufa (gases e aerosóis) baseada em um conjunto coerente e consistente de forças e suas relações-chave.
Ciclo do carbono. Termo usado para descrever o fluxo de carbono (em suas diferentes formas) através da biosfera e da litosfera atmosférica, oceânica e terrestre.
Cinturão transportador oceânico. A rota teórica pela qual a água circula ao redor do globo oceânico em sua totalidade, movida pelo vento e pela circulação termostática.
Clima. Conjunto de condições atmosféricas que caracterizam uma região.
Chicago Climate Exchange (CCX). É o primeiro registro de emissões de gases do efeito estufa na América do Norte e o primeiro no mundo em que se negocia a redução dos seis gases do efeito estufa definidos no Protocolo de Kyoto. O CCX é um organismo de intercâmbio auto-regulado, desenhado e governado por seus próprios membros. Esses membros -- empresas privadas -- assumem um compromisso voluntário de redução, que é monitorado pela comissão. Para o final da fase I (dezembro de 2006), todos os membros devem ter reduzido suas emissões diretas em até 4% em comparação à média entre os anos de 1998 a 2001. Na fase II, que amplia o programa da redução a 2010, é exigido que todos os membros reduzam suas emissões em 6% em relação ao mesmo período.
Clorofluocarbonos (CFCs). Gases do efeito estufa contemplados dentro do Protocolo de Montreal de 1987. Usados para a refrigeração, ar condicionado, empacotamento, isolamento, como solvente ou em aerosóis. Como não são destruídos na camada mais baixa da atmosfera, os CFCs chegam à parte mais alta da atmosfera onde, em certas condições, destroem a camada de ozônio. Esses gases estão sendo substituídos por outros compostos, incluindo hidroclorocarbonos e hidrofluorocarbonos, que são gases do efeito estufa contemplados no protocolo de Kyoto.
Combustíveis fósseis. Combustíveis baseados no carbono de depósitos fósseis, incluindo petróleo e gás natural.
Comércio de “Mercado Primário” e “Mercado Secundário”. Os compradores e vendedores que comercializam diretamente constituem o Mercado Primário. Os que comercializam por intermédio de instituições de intermediação e intercâmbio representam o Mercado Secundário.
Co-benefícios. Benefícios das políticas que são implementadas por várias razões ao mesmo tempo -- incluindo a redução das mudanças climáticas. O termo co-impacto também é utilizado em um sentido mais genérico para cobrir os lados positivos e negativos dos benefícios.
Co-geração. Aproveitamento do calor ou vapor excedente resultante de um processo produtivo para gerar eletricidade.
Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática. É o instrumento jurídico internacional em vigor para tratar do tema. Esse tratado internacional, firmado pela maioria dos países, entrou em vigor em 21 de março de 1994. A Convenção estabelece a distinção entre os países signatários em função de seu grau de desenvolvimento econômico. Fazem parte do Anexo I os países industrializados que foram membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE) em 1992, além de outros países com economias consideradas em transição, que incluem a Federação Russa e outros estados da Europa Oriental.
Custo de adaptação. Custo de planejamento, preparação, facilitação e implementação de medidas para a adaptação, incluindo custos de transação.
Custo-benefício. Critério para especificar quando uma tecnologia ou medida permite acesso um bem ou serviço a um custo menor ou igual ao da forma como ele é produzido atualmente.
Custos de implementação. Custos envolvidos na implementação das opções de redução. Estes custos estão associados com as mudanças institucionais necessárias, necessidades de informação, tamanho do mercado, oportunidades de ganho e adoção de tecnologia e incentivos econômicos necessários (subsídios e impostos).
Custos de projeto. Custos financeiros de um projeto, que podem ser de capital, de trabalho, ou custos operacionais.
Custos privados. Categoria de custos que influi na decisão de um indivíduo.
Desmatamento. Derrubada de matas e florestas.
Desenvolvimento sustentável. Desenvolvimento que resolve as necessidades atuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras para atender suas próprias necessidades.
Desertificação. Transformação de amplas extensões de terras férteis em desertos.
Dióxido de carbono. Gás produzido naturalmente por animais durante a respiração e na decomposição de biomassas. Ele é utilizado pelas plantas para realizar a fotossíntese. É um dos gases mais importantes precursores do efeito estufa.
Economias em Transição (EITs). Países com economias nacionais em processo de mudança; de sistemas econômicos centralizados a economias de mercado. Esta denominação refere-se principalmente a países europeus que fizeram parte do antigo bloco socialista.
Ecossistema. Comunidade de plantas, animais ou micro-organismos e seu meio ambiente interagindo como uma unidade funcional.
Efeito estufa. Fenômeno atmosférico natural que permite manter a temperatura do planeta retendo parte da energia proveniente do sol.
Eficiência energética. Razão entre a entrada e a saída de energia em um processo de conversão ou em um sistema.
Equilíbrio energético. A acumulação energética do clima deve estar em equilíbrio. Toda a energia do sistema climático deriva do sol, portanto o equilíbrio implica que a média da radiação incidente deve ser igual à soma da radiação propagada refletida.
Equivalente-CO2. A concentração de dióxido de carbono que causa a mesma quantidade de força de radiação que a mistura entre o dióxido de carbono e outros gases do efeito estufa.
Emissões. No contexto das mudanças climáticas, emissões são a liberação de gases do efeito estufa, seus precursores e aerosóis na atmosfera, em uma área específica, em um determinado período de tempo.
Emissões antropogênicas. Emissões de gases do efeito estufa, precursores de gases do efeito estufa e aerosóis, associados a atividades humanas. Isso inclui a queima de combustíveis fósseis para a obtenção de energia, o desmatamento e o uso do solo.
Emissões de CO2 dos fósseis. Emissões de dióxido de carbono como resultado da queima de combustíveis provenientes de depósitos de carbono fossilizado com petróleo, gás e carbono.
Endêmico. Restrito ou peculiar a uma localidade ou região. No que se refere à saúde humana, endêmico pode referir-se a uma doença ou a um agente presente ou que usualmente prevalece em uma população ou área geográfica permanentemente.
Energia de uso final. Energia disponível para o consumidor para conversão em energia utilizável.
Energias renováveis. Fontes sustentáveis de energia (dentro do curto tempo que a Terra leva para realizar seus ciclos); incluem tecnologias não baseadas em carbono, como a energia solar, a energia hidroelétrica e a energia eólica, assim como tecnologias de carbono neutras, como a biomassa.
Energia primária. Energia contida em recursos naturais (carbono, petróleo cru, luz solar, urânio), que não sofreu nenhuma intervenção antropogênica.
Epidemia. Padecimentos infecciosos (doenças, danos ou qualquer outro evento que tenha a ver com a saúde) que ocorre em escalas muito maiores do que o considerado normal.
Erosão. Remoção e transporte de terra e rocha causado pelo clima.
Erosão térmica. Erosão do permafrost (tipo de solo encontrado na região do Ártico, rico em gelo) por uma combinação da ação térmica e mecânica da água em movimento.
Escala espacial e temporal. O clima pode variar com grande amplitude. Existem duas escalas para medir essa variação temporal e espacial. A escala espacial pode variar de local (menor que 100.000 km2), a regional (100.000 a 10 milhões de km2) e a continental (10 a 100 milhões de km2). A escala temporal pode variar de estacionária a geológica (até centenas de milhões de anos).
Estabilização. Ato de estabilizar as concentrações atmosféricas de um ou mais gases do efeito estufa.
Estratosfera. Zona superior à atmosfera, indo dos 12 aos 100 km de altura.
Evaporação. Processo mediante o qual um líquido se converte em um gás.
Evapotranspiração. Combinação entre o processo de evaporação da Terra e a transpiração da vegetação.
Evento climático extremo. Evento considerado raro dentro da distribuição de referência estatística de um lugar específico.
Expansão térmica. Em relação ao nível do mar, refere-se ao aumento do volume (e redução da densidade) produzido quando a água esquenta. O aquecimento dos oceanos determina uma expansão em volume dos oceanos e, conseqüentemente, uma elevação do nível do mar.
Externalidades. Subprodutos de atividades que afetam o bem-estar das pessoas e o ambiente, sendo que esses impactos não têm reflexos sobre os preços. Os custos ou benefícios associados às externalidades não entram no esquema de custos.
Extinção. O completo desaparecimento de uma espécie.
Fator de emissões. O fator de emissões é o coeficiente que relaciona as emissões atuais à informação de atividade como uma medição-padrão das emissões por unidade de atividade.
Florestamento. Plantio de novas árvores em terras onde nunca houve florestas.
Fotossíntese. Processo metabólico específico de certas células dos organismos autótrofos, através do qual sintetizam substâncias orgânicas a partir de outras inorgânicas, utilizando a energia luminosa.
Fonte. Qualquer processo, atividade ou mecanismo que produza um gás do efeito estufa ou um aerosol na atmosfera.
Gases do efeito estufa. Gases que contribuem para o efeito estufa natural. São seis: Dióxido de Carbono (CO2), Metano (CH4) e Óxido Nitroso (N2O), além de três gases industriais fluorados: Hidrofluorcarboneto (HFC), Perfluorcarboneto (PFC) e Hexafluor Sulfuroso (SF6).
Gás “Traza”. Componente menor da atmosfera. Os gases “traza” que mais contribuem para o efeito estufa são: dióxido de carbono, ozônio, metano, óxido de nitrato, hidrofluorcarbonetos, perfluorcarbonetos, hexafluor sulfuroso e vapor d’água.
Glaciar. Massa de gelo acumulada nas áreas das cordilheiras, sobre o limite das neves eternas, e cuja parte inferior desliza muito lentamente, como se fosse um rio de gelo.
Grupo dos 77 e China (G77/China). Originalmente 77, agora mais de 130 países em desenvolvimento que atuam como um bloco de negociações dentro do processo da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática. O G77/China também é conhecido como “Países não incluídos no Anexo I”.
Habitat. Local de condições apropriadas para que um organismo, espécie ou comunidade animal ou vegetal.
Halocarbonos. Compostos que contêm cloro, bromo ou flúor e carbono. Podem agir como potentes gases de efeito estufa na atmosfera. Os Halocarbonos que contêm cloro e bromo são causa do esgotamento da camada de ozônio na atmosfera.
Hexafluor Sulfuroso (SF6).Um dos seis gases do efeito estufa contemplados pelo Protocolo de Kyoto. É utilizado em grandes quantidades para isolar equipamento de alta tensão e para a fabricação de sistemas de resfriamento de cabos. Seu potencial de aquecimento global é de 23.900.
Hidrofluorcarbonetos (HFCs). Encontram-se entre os seis gases do efeito estufa contemplados pelo Protocolo de Kyoto. São produzidos comercialmente como substitutos dos Clorofluorcarbonetos. Grandes quantidades de HFCs são utilizadas como refrigerantes e semi-condutores. Seu potencial de aquecimento global está entre 1.300 e 11.700.
Hidrosfera. Conjunto de partes líquidas do globo terrestre.
Impactos climáticos. Conseqüências das mudanças climáticas em sistemas naturais ou humanos. Dependendo da adaptação, podem ser impactos potenciais ou impactos residuais.
Impactos no mercado. Impactos ligados às transações de mercado, e que afetam diretamente os estoques domésticos.
Impactos potenciais. Todos os impactos que possam ocorrer a partir de certas mudanças climáticas projetadas, sem levar em conta a adaptação.
Impactos residuais. Impactos da mudança climática que possam ocorrer após a adaptação.
Implementação. A implementação refere-se às ações (legais ou reguladoras) que o governo toma para traduzir acordos internacionais em políticas e leis domésticas.
Implementação conjunta (JI). Mecanismo de implementação baseado no mercado, definido no artigo 6 do Protocolo de Kyoto, permite aos países do Anexo I ou a empresas desses países implementar projetos conjuntamente para limitar ou reduzir emissões de gases do efeito estufa.
Incentivos de mercado. Medidas com intenção de utilizar mecanismos de preço (por exemplo, impostos) para reduzir as emissões de gases do efeito estufa.
Incerteza. Expressão para definir que o futuro do sistema climático é desconhecido. Pode ocorrer por falta de informação ou por desacordos sobre o que se sabe e o que se pode saber. A incerteza pode ser representada por medidas quantitativas.
Industrialização. Transformação de uma sociedade baseada no trabalho manual em uma sociedade baseada no uso da força mecânica.
Inércia. Propriedade a partir da qual a matéria continua em seu estado de repouso ou movimento retilíneo uniforme, a menos que esse estado mude por ação de alguma força externa. No contexto da redução das mudanças climáticas, está associado às diferentes formas do capital.
Infra-estrutura. As instalações básicas das quais dependem a existência e o crescimento de uma comunidade, como rodovias, escolas, eletricidade, combustível, água e sistemas de comunicação.
Insegurança alimentícia. Situação que ocorre quando a população não tem acesso a uma quantidade de alimentos suficiente para seu desenvolvimento normal e sadio. Pode ser causada por falta de recursos, dificuldades econômicas, má distribuição ou uso inadequado da comida no contexto familiar. A insegurança alimentícia pode ser crônica, estacionária ou transitória.
Intensidade energética. É a razão do consumo de energia em termos econômicos e físicos. A nível nacional, a intensidade energética é a razão total do consumo doméstico de energia primária ou o consumo de energia final em sua aplicação física.
IPCC: É o Painel Inter-governamental sobre Mudanças Climáticas.
Linha de base. Cenário sem intervenção, usado como base para a análise de cenários específicos.
Má adaptação. Qualquer mudança nos sistemas natural ou humano que inadvertidamente aumente a vulnerabilidade ao estímulo climático; uma adaptação que não reduz a vulnerabilidade em relação às mudanças climáticas colabora para aumentá-la.
Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (CDM). Definido no artigo 12 do Protocolo de Kyoto, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo tem dois objetivos: (1) auxiliar os países não incluídos no Anexo I a atingir um desenvolvimento sustentável e (2) assistir os países incluídos no Anexo I no cumprimento de seus compromissos de redução de emissões.
Mecanismos de Kyoto. Mecanismos econômicos baseados em princípios de mercado que as Partes no Protocolo de Kyoto podem utilizar para diminuir os impactos econômicos potenciais relativos aos requerimentos para a redução das emissões de gases do efeito estufa. Eles incluem: a Implementação Conjunta (artigo 6), o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (artigo 12) e o Comércio de Emissões (artigo 17).
Medidas reguladoras. Regras ou códigos estabelecidos pelos governos que ditam especificações para os produtos ou características para seus processos de funcionamento.
Medidas voluntárias. Medidas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa que são adotadas por empresas, entidades privadas ou outros atores na ausência de regulação governamental. As medidas voluntárias resultam na fabricação de produtos ambientalmente “amigáveis”, ou processos mais rapidamente disponíveis, além de promover entre os consumidores finais a adoção de valores ambientais em suas decisões de compra.
Metano (CH4). É um dos seis gases do efeito estufa que deve ser reduzido, de acordo com o estabelecido pelo Protocolo de Kyoto.
Micro-clima. Nome que define o conjunto de condições climáticas próprias de um ponto geográfico ou área reduzida, e que representa uma modificação.
Modelo climático (Hierarquia). Representação numérica do sistema climático baseada nas propriedades físicas, químicas e biológicas de seus componentes, sua interação e processos relativos, e na contagem de todas ou de algumas de suas propriedades. O sistema climático pode ser representado por modelos de complexidade variável.
Mudanças climáticas. Referem-se a qualquer mudança no clima a longo prazo, seja devido a causas naturais ou como resultado da atividade humana.
Mudanças climáticas rápidas. O caráter de variabilidade do sistema climático dá lugar a mudanças climáticas rápidas, às vezes chamadas mudanças abruptas ou inclusive surpreendentes. Algumas podem ser imagináveis, outras podem ser realmente inesperadas.
Nível relativo do mar. Nível do mar medido com o mareógrafo, tomando como ponto de referência o solo sobre o qual o aparelho se encontra. O nível médio do mar é definido normalmente como a média do nível relativo do mar durante um mês, um ano ou qualquer outro período suficientemente longo para que se possa calcular o valor médio de elementos transitórios como as ondas.
Opções biológicas. As opções biológicas para a redução das mudanças climáticas incluem uma ou mais das três estratégicas: conservação, seqüestro e substituição.
Organização Inter-governamental (IGO). Organizações constituídas por governos. Por exemplo: o Banco Mundial, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Painel Inter-governamental sobre as Mudanças Climáticas (IPCC) e outras organizações regionais e do Sistema das Nações Unidas.
Óxido Nitroso (N2O). Um dos seis gases do efeito estufa contemplados pelo Protocolo de Kyoto.
Países do Anexo I. Grupo de países incluídos no Anexo I (como foi estabelecido em 1998) na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, incluindo todos os países desenvolvidos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômicos e as Economias em Transição. Nos artigos 4.2(a) e 4.2(b) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, os países incluídos no Anexo I comprometem-se especificamente a reduzir individual ou conjuntamente o nível de gases do efeito estufa que tinham em 1990. Também são chamados de países industrializados.
Países do Anexo II. Grupo de países incluídos no Anexo II da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática, incluindo todos os países desenvolvidos dentro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômicos, no Artigo 4.2(g) da Convenção. Espera-se que estes países ofereçam recursos financeiros para assistir os países em desenvolvimento a cumprir obrigações tais como preparar as respectivas comunicações nacionais. Também espera-se que os países do Anexo II promovam a transferência de tecnologia para os países em desenvolvimento.
Países do Anexo B. Grupo de países incluídos no Anexo B dentro do Protocolo de Kyoto que se comprometeram a enfrentar suas emissões de gases do efeito estufa, incluindo todos os países do Anexo I (como estabelecido em 1998), excluindo a Turquia e a Bielorrússia.
Países não incluídos no Anexo I. Países que ratificaram o acordo firmado com a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática e que não estão incluídos no Anexo I da Convenção.
Países não incluídos no Anexo I. Países que não estão incluídos no Anexo IB do Protocolo de Kyoto.
Permissão de Emissão. Títulos não transferíveis ou intercambiáveis concedidos pelo governo a empresas individuais, que lhes permitem emitir uma quantidade específica de alguma substância.
Perfluorocarbonos (PFCs). Gases do efeito estufa reconhecidos pelo Protocolo de Kyoto. Produtos do manejo de alumínio e do enriquecimento de urânio. Substituem os Clorofluorcarbonos na fabricação de semi-condutores. O potencial de aquecimento global dos PFCs é de 6500 a 9200 vezes maior que o do dióxido de carbono.
Potencial de aquecimento global. Define o efeito de aquecimento integrado ao longo do tempo que hoje produz uma liberação instantânea de 1kg de um gás do efeito estufa, em comparação com o causado pelo CO2. Consideram-se os efeitos radioativos de cada gás, assim como seus diferentes tempos de permanência na atmosfera.
Precursores. Compostos atmosféricos que não são gases do efeito estufa ou aerosóis, mas que têm um efeito sobre estes, fazendo parte dos processos químicos ou físicos e regulando as condições de produção ou destruição.
Previsão climática. Resultado do esforço de produzir uma descrição ou estimativa da evolução climática no futuro.
Produção líquida do Bioma. Ganho ou perda líquida de carbono de uma região. A produção líquida do Bioma é igual à produção líquida do ecossistema, menos o carbono perdido devido a uma perturbação, como por exemplo, o corte de um bosque ou um incêndio florestal.
Produção primária bruta. Quantidade de carbono na atmosfera, tomando como base a fotossíntese.
Protocolo de Kyoto. O Protocolo de Kyoto da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança Climática é um acordo firmado pelos países para adotar medidas e estabelecer compromissos mais ambiciosos do que o já estabelecido sobre as mudanças climáticas e as ações para reduzir o aquecimento atmosférico. Entrou em vigor em 15 de fevereiro de 2005.
Quebra. Qualquer processo, atividade ou mecanismo que remova um gás do efeito estufa ou aerosol da atmosfera.
Quota de emissões. A porção ou intercâmbio do total de emissões permitidas a um país ou grupo de países, levando em consideração emissões máximas totais e locações mandatárias dos recursos.
Radiação solar. Radiação emitida pelo sol. Chama-se também radiação de ondas curtas. A radiação solar tem uma gama de comprimentos de onda (“espectro”) específica, determinada pela temperatura do sol.
Radição ultra-violeta. Radiação solar de ondas longas com alcance de 280-320 NM, a maior parte absorvida pelo ozônio estratosférico. O aumento da radiação ultra-violeta suprime o sistema imunológico e pode ter outros efeitos negativos sobre os organismos vivos.
Recuperação de Metano. Método através do qual as emissões de metano geradas, por exemplo, por minas de carvão ou depósitos de lixo, são capturadas e reutilizadas como combustíveis ou com outros propósitos econômicos.
Redução. Intervenção humana para reduzir os gases do efeito estufa e suas fontes.
Reflorestamento. Repovoamento de um terreno com florestas.
Regeneração. Renovação de uma plantação de árvores através de meios naturais (graças ao vento, aves ou outros animais) ou artificiais (plantação direta de sementes).
Regiões áridas. Ecossistemas com menos de 250mm de precipitação pluvial por ano.
Reservatório. Componente do sistema climático (não sendo a atmosfera) capaz de guardar e acumular substâncias.
Respiração. Ato de absorver o ar, pelos pulmões, brânquias, traquéia, etc, absorvendo parte das substâncias que o compõem, e expeli-lo modificado.
Respiração autótrofa. Respiração por organismos fotossintéticos (plantas).
Respiração heterotrófica. Conversão de matéria orgânica a CO2 por organismos distintos das plantas.
Revolução industrial. Período de rápido crescimento industrial e de profundas conseqüências sociais e econômicas. Começou na Inglaterra, durante a segunda metade do século XVIII e se estendeu ao resto da Europa e, mais tarde, a outros países. A invenção da máquina de vapor foi um fator importante que desencadeou estas mudanças. A Revolução Industrial marcou o início de um período de forte aumento da utilização de combustíveis de origem fóssil e das emissões, em particular de dióxido de carbono de origem fóssil.
Sensibilidade. É o grau em que um sistema é afetado, de forma contrária ou benéfica, por algum estímulo relativo às mudanças climáticas. O efeito pode ser direto ou indireto.
Serviços de Ecossistemas. Processos ou funções ecológicas que têm algum valor para os indivíduos ou para a sociedade.
Sistema climático. Sistema altamente complexo que consiste de cinco componentes primários (atmosfera, hidrosfera, litosfera, a superfície terrestre e a biosfera) e da interação entre eles.
Sistema humano. Qualquer sistema no qual as organizações humanas têm um papel importante. Normalmente, mas não sempre, o termo está associado a “sociedade” ou “sistema social”.
Temperatura da superfície global. É a média entre o peso global da superfície marinha sobre os oceanos e a temperatura do ar a 1,5m da superfície da terra.
Transformação de energia. É a mudança de uma forma de energia, como a energia dos combustíveis fósseis em outros tipos de energia, como a eletricidade.
Tsunami. Onda de proporções gigantescas, produzida por um terremoto submarino ou uma erupção vulcânica.
Uso da terra. Os fins sociais e econômicos com os quais o homem utiliza a terra. Mudança no uso da terra. Mudança no manejo ou no uso da terra pelo homem, que pode ser causa de mudanças na cobertura da terra. As mudanças na camada superior do solo ou no uso da terra podem influir no albedo, na evaporação e transpiração, nas fontes e nos sumidouros de gases do efeito estufa e, conseqüentemente, ter um impacto sobre o clima em escala local ou mundial.
Variação climática. Uma flutuação climática ou componente da mesma, indica as variações naturais comuns de um ano ao ano seguinte ou mudanças em uma década em relação à seguinte.
Vulnerabilidade. O grau em que um sistema é suscetível a efeitos adversos da mudança climática. A variabilidade está em função da magnitude e da escala de variação de clima à qual um sistema está exposto, de sua sensibilidade e de sua capacidade adaptativa.
Fonte: Mudanças Climáticas no México (http://cambio_climatico.ine.gob.mx/glosario.html)